quarta-feira, 30 de março de 2016

Deus é Branco? Preto é que ele não e´!

Este artigo é escrito por um angolano de nome Isomar Pedro   Gomes. 





  Diria mais, de um Benguelense a residir nesta cidade e com excelentes artigos, que merecem ser acompanhados no FACEBOOK. Trago-vos aqui o texto e vejam a coragem dele, por ter publicado isto em Angola.   DEUS É BRANCO? por Isomar Pedro Gomes – África.

"Há dias, a caminho do Hojy-yá-Henda, a bordo (como habitual) de um dos machimbombos da TCUL Viana vila - Cuca, um dos vários azulinhos, os nossos emblemáticos táxis colectivos, que 'palmilham' as nossas estradas (privilegio este meio de transporte por ser o mais barato e acessível aos pobres para rotas longas, mau grado a 'sardinhada e a catingada'), chamou a atenção do público, exibindo no seu 'traseiro' o seguinte dístico; DEUS É BRANCO, MULATO É ANJO, PRETO É DIABO. Tal dístico, é obvio, levantou as mais diversas celeumas entre os passageiros do machimbombo e creio entre todos os 'observadores' e transeuntes por onde o dito azulinho (mini mbombó) 'rasgava' o seu 'popó-show'. Raciocinei com os meus botões e os meus botões comigo, as causas que levaram o proprietário do 'popó' ou do 'chauffeur de praça' a mencionar e exibir tal 'desgraçado ou ditoso (?!)' rótulo. Na busca mental das 'causas', não pude deixar de comparar o modo de vida de hoje e o da administração colonial, quando o País, e a grossa maioria dos países do continente Africano, era administrado por indivíduos maioritariamente de raça branca, provenientes da Europa, "

"os tais colonos" : poderia África então ser comparada a um paraíso? Há quem diga que sim, e eu não discordo dele! "Colonialismo caiu na lama!" Lembram-se deste célebre estribilho 1974-1977 A JÓIA COLONIAL Angola era mundialmente conhecida como a Jóia do império Português e exibia, majestosa, todos os pergaminhos de tal título; o Quénia era, a par da África do Sul, a jóia africana do império Britânico, a Argélia a jóia africana do império Francês e o antigo Congo-Belga a jóia do mini-império Belga. 
Tais países Africanos - no contexto do outrora - prosperavam a olhos vistos (a maioria deles encontravam-se ainda na idade da pedra), as respectivas comunidades autóctones idem em aspas, os índices de desenvolvimento humano dos autóctones inegavelmente estavam lenta e seguramente subindo, as obras dos colonialistas ainda perduram pela África adentro. Verdade seja dita, o esclavagismo e as guerras de "kwata-kwata" fizeram irremediáveis estragos em África. Mas também não é menos verdade, que a falta de unidade, ambição, irresponsável individualismo e a sempre necessidade de estúpida e insanamente guerrearem e fazerem verter sangue (entre nós Africanos) - tornaram bem-vinda "a pax romana", isto é, a paz promulgada a força do chicote e da bala pelos Europeus. As então gerações de jovens africanos instruídos (pelas respectivas franjas ou instituições da administração colonial), organizaram-se politicamente e fizeram soar a acusação de que os Europeus estavam a sugar as riquezas do solo pátrio em benefício exclusivo das nações colonizadoras, desconsiderando totalmente os interesses dos nativos e

das colónias, transformando os autóctones em miseráveis na sua própria terra; "eles vieram com a Bíblia, nós tínhamos as terras, no fim eles ficaram com as terras e nós com a Bíblia" disse Robert Mugabe, nacionalista e guia da libertação do Zimbabwe. Organizaram-se contra o invasor: protestos, revoltas, guerras, chacinas ; a história regista que o movimento e actuação dos 'mau-mau', liderado pelo indomável Jomo Keniata, foi um dos mais cruéis de África e o que chamou a atenção da comunidade internacional, para a necessidade da urgente descolonização de África. Claro a violência gera violência, os resultados hoje fazem parte da história. A resposta colonial à violência nacionalista africana, sempre foi comedida: por exemplo, se a força policial Portuguesa no 4 de Fevereiro e posteriormente no 12 de Março de 1961, respondesse com o mesmo demonismo com que o MPLA 'respondeu' ao chamado Fraccionismo do 27 de Maio 1977, muitos dos actuais dirigentes não existiriam, e provavelmente durante muito tempo não haveria movimentos de libertação. O ÊXODO Passado cerca de meio século, em que a maioria dos países Africanos 'arrancaram' na ponta da espingarda a independência das potências colonizadoras (seguindo a lição do camarada Mao Tsé-Tung) - se fizermos o balanço de quais foram os ganhos que os respectivos países e povos obtiveram, poucos são os Países Africanos que diremos, saíram indiscutivelmente a ganhar. "Quando é que a independência afinal vai acabar?" - Indagou desesperado/desapontado um septuagenário angolano nos idos anos 78-80, fatigadérrimos da guerra estúpida, de tanta crueldade e injustiça praticada pelos seus patrícios (do regime e da oposição), denominados de nacionalistas de primeira água.

Poderia África ser hoje comparada ao Inferno ou ao Purgatório? Qualquer um deles serve; Paraíso- NUNCA. Pouquíssimos países Africanos (menos do que os dedos de uma mão) podem aproximar-se de tal eleição. "HOJE até a Bíblia nos tiraram, e as terras continuam a não pertencer ao povo" - sintetizou Morgan Tchavingirai, descrevendo a desgraçada e extrema penúria do povo zimbabweano, respondendo ao guia imortal ainda vivo, que diz ter ressuscitado mais vezes que o próprio Jesus Cristo. Zimbabwe que, no período citado por Bob Mugabe, era o celeiro de África, o povo era detentor de um dos mais elevados IDH do continente. Por exemplo, em Angola, quando por vezes, nas datas históricas, oiço e vejo pela TV indivíduos a mencionarem o que o 'colono nos fazia', sinceramente não sei se, choro de raiva ou se me mato de 'risada' ; "porque o que o colono fazia… blá-blá-blá", dizem eles - hoje faz-se o pior. O colono, se fez, quase que o desculpo: é ou foi colono, é branco, não é meu irmão de raça, etc. ; agora quando o meu irmão Angolano, preto como eu, ex-companheiro da miséria e das ruas da amargura, faz o que viva e denodadamente repudiávamos do colono - esta ultima acção dói muitíssimo mais do que a acção anterior, dilacera e mutila impiedosamente a alma. Por isso, logo após as independências Africanas, e depois do êxodo dos brancos a abandonarem África, verificou-se um segundo êxodo: seguindo os outrora colonos, milhões de Africanos abandonaram a África, com angústia na alma e os olhos arrebitados de descrença, a maioria arriscando literalmente as suas vidas (o filme continua até aos nossos dias) - porque chegaram a conclusão que afinal não é verdade o que apregoa o político Africano; "eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar", disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP. Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em África! Porquê?   A JUSTIÇA EUROPEIA Os Europeus, muitos deles depois de chacinados em África pelas revoltas africanas, de regresso aos respectivos países, embora destroçados de dor e amargura - receberam de braços abertos muitos dos antigos carrascos, dando-lhes um lar o paraíso ee emprego decente, e uma vida digna, que jamais tiveram nos países de origem; Paz e sossego duradouro. O contrário era possível? Ainda hoje, 37 anos depois do fim da colonização, para justificar a Pobreza e outros pesares que "estamos com ele", os dirigentes Angolanos (por exemplo) ainda se desculpam com a presença colonial Portuguesa em Angola - eles não são, nunca serão culpados, mas o colono (37 anos depois) SIM, estou seguro que, quando Angola festejar o 50º aniversário, os dirigentes Angolanos ainda estarão a rogar pragas ao colono Português. HOJE, em muitos países africanos, ouvimos falar de relatos arrepiantes de governação de 'preto-para-preto' : incompetência criminosa, bajulação estúpida como doutrina, ganância e egoísmo exacerbado (primeiro eu - sempre), mentira como regra, assassinatos indiscriminados, prisões em massa, inexistência de liberdade de expressão, até gritar "estou com fome" é crime passível de perder a vida. Kamulingue e Kassule são a prova viva do facto: vida miserável, falta de empregos, corrupção endémica, justiça injusta e totalmente parcial, cadeias (horrorosamente infernais) a abarrotar de jovens das classes desfavorecidas, hospitais que mais parecem hospícios, escolas que mais parecem pocilgas etc. etc. O paradoxo é, se hoje  em África usufruímos de um bocadinho de liberdade com sabor a vida,
 é precisamente graças aos Europeus; isto é, aos brancos, que desenvolveram uma nova ordem de conduta internacional e instituições internacionais que vigiam sobre o globo, incluindo, obviamente, África. As sanções internacionais e outras medidas de contenção pairam sobre os dirigentes Africanos; e então, estes por sua vez, fingem praticar a democracia - não porque eles gostem da democracia, mas porque temem o "deus branco e o seu braço punitivo". Porque se dependêssemos totalmente dos governos de "preto-para-preto" - seguramente, na vasta maioria dos países Africanos, não seria possível viver. O protótipo Africano da UE (União Europeia), a chamada UA (União Africana), é uma mentira descabida : é uma instituição falida, decrépita, débil e 'estaladiça' (como a bolacha 'chinesa' de água e sal), que ninguém leva a sério, houve até quem propusesse a designação - DUA : DesUnião Africana ; uns poucos países africanos esforçam-se por dar credibilidade à UA e ao continente - por exemplo, quando teremos um Tribunal Internacional Africano? Se os tribunais da maioria dos Países membros é do "faz de conta", os Africanos instituíram também uma espécie risível de Parlamento Africano: que acções práticas esse tal PA já desenvolveu em beneficio dos Africanos? A UA é um club de "compadres", ditadores velhacos, egoístas que sonham com Paris, Londres, Estocolmo etc.; ao mesmo tempo que transformam os respectivos países em autênticos 'buracos negros'. As independências em África foram 'feitas' para algumas centenas de indivíduos africanos - em detrimento de centenas de milhões, cada vez mais miseráveis. Nunca a Europa 'recebeu' tanta riqueza de África como após a chamada "independência dos Países Africanos"; os novos-ricos africanos apressam-se a 'esconder' na Europa os produtos da sua criminosa delapidação, para gáudio dos Europeus - contrariando aquilo que eles próprios evocaram e prescreveram na convocação para a luta de libertação nacional. "Eu ir a Portugal algum dia?.. NUNCA!.. Nem morto!" – disse em 1980, na idade de ouro do partido único, erguendo o punho direito bem alto em sinal de sacro-juramento, em pleno comício em Benguela, um dos então carismáticos dirigentes da "Revolução Angolana", cujo nome prescindo de citar ; hoje ele próprio, não só é frequentador assíduo e brioso de Portugal e "empresário português", como também é o orgulhoso presidente de uma agremiação desportiva portuguesa em Angola. Quase meio século depois, podemos dizer que o IDH dos povos africanos subiu ou regrediu? Somos melhores tratados hoje pelos nossos irmãos dirigentes? Os ideais que nortearam a luta de libertação colonial ainda estão vivos e recomendam-se? Muitos dos nossos jovens usam orgulhosamente tecnologia de ponta, os ipod, 'aichatissa' e 'aipad' fazem a banga da juventude; mas o meio que os rodeia é nauseabundo e desolador. O Stress agudo e o AVC matam tanto quanto a malária.  FILANTROPOS DA HUMANIDADE A mais recente iniciativa de alguns dos milionários do planeta, comoveu muita gente. Há algum Africano entre os homens que protagonizaram tal feliz iniciativa? Todos eles (os citados filantropos) são homens que dedicaram a maior parte da sua vida à produção de riqueza - não a 


principalmente nas periferias das capitais Africanas (quase todas elas, principalmente dos chamados “País Especiais”)? Os dirigentes Africanos nem conseguem combater eficazmente o mosquito, causa do paludismo e malária que, há meio século, diariamente dizima milhares de almas (principalmente crianças) pelo continente adentro, as doenças diarreicas (produto da falta de sanidade básica) fazem de igual modo uma 'ceifa' aterradora. Doenças que o colono quase já tinha debelado, como a mosca do sono, ameaçam 'engolir' povos inteiros. Tudo isso acontece perante a pecaminosa insensibilidade de um grupinho de "iluminados africanos"  (abençoados pelas igrejas), que preferem gastar milhões de Euros comprando castelos na Europa e em orgias depravadas (preferem dar de comer aos cães) - do que ajudar os seus irmãos, que não lhes pedem mais do que apenas BOA GOVERNAÇÃO, gerirem o erário público para o bem de TODOS e da nação. E há quem tem ainda o desplante de vir a público protagonizar uma perversa peça teatral, choramingando  "O colono blá-blá-blá"… Quanto ao anjo, prefiro não comentar. Deus é Branco? Até posso aceitar; porém, de uma coisa estou certo: preto é que não é, de certeza ABSOLUTA !

DEUS É BRANCO? por Isomar Pedro Gomes – África 


Veja também aqui: http://picaorelha.blogspot.pt/search?q=Africa+um+continente++perdido