sábado, 7 de setembro de 2013

Um segredo por o que já era tão evidente!..

    


                                                                                                                                            Carvalho da Silva, soube-se agora através do jornal i, deixou de ser militante do PCP há mais de um ano e meio, mas fez segredo disso. E não só fez segredo – o que, por si só, já é estranho – como agora diz que esse «é um assunto» sobre o qual não tem «resposta nenhuma» para dar – o que torna o caso ainda mais bizarro.
De que tem medo Carvalho da Silva? Que se saiba que foi militante activo do PCP durante longos anos e isso estrague a sua imagem de sindicalista moderado? Que por lá se manteve alegremente mesmo depois da queda do muro de Berlim e da desagregação do bloco soviético, ao longo de mais de duas décadas? Que viu saírem muitos militantes que lutavam pela abertura democrática do PCP – como Vital Moreira, José Luís Judas, Barros Moura, Miguel Portas, Pina Moura, Carlos Brito, entre muitos outros – enquanto ele persistia em conviver com a ortodoxia vigente no partido? Ou será que vive mesmo na ilusão de uma prometida candidatura presidencial e receia que a notícia da sua saída do partido crie anticorpos tanto no eleitorado fora do PCP como nos seus ex-camaradas?

Tão insólito e extraordinário como o silencioso segredo de Carvalho da Silva é a resposta igualmente esquiva do PCP sobre o assunto: «O pedido de esclarecimento deve ser dirigido ao próprio»... O PCP não se sente obrigado a esclarecer quem é militante e quem não é?

Não é o ‘partido das paredes de vidro’? Pensarão, o PCP e Carvalho da Silva, que ainda vivem na clandestinidade? E não numa democracia transparente, sem segredos de filiações ou convicções? Pelos vistos, pensam qualquer coisa do género. Já outro sindicalista retirado, João Proença, não viu qualquer inconveniência ou incompatibilidade, no mesmo dia em que anunciou ir trabalhar na AICEP, em falar como secretário nacional do PS para desancar o Governo por «violar o princípio da confiança» e se colocar numa «posição de pura submissão» à troika. Eis uma via original para cativar investimento estrangeiro...

Considerarão Carvalho da Silva e João Proença que as suas dinossáuricas lideranças da CGTP e da UGT lhes conferiram um estatuto de impunidade?
Que lhes permite dizerem e cometerem todos os disparates?

Por José António Lima



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