quinta-feira, 1 de agosto de 2013

(NORUEGA) OS BÁRBAROS SOMOS NÓS

           





              



Na Noruega, o horário de trabalho começa cedo (às 8 horas) e acaba cedo
(às 15.30).

As mães e os pais noruegueses têm uma parte significativa dos seus dias
para serem pais, para proporcionar aos filhos algo mais do que um serão de
televisão ou videojogos.

Têm um ano de licença de maternidade e nunca ouviram falar de despedimentos
por gravidez."





"A riqueza que produzem nos seus trabalhos garante-lhes o maior nível
salarial da Europa. Que é também, desculpem-me os menos sensíveis ao
argumento, o mais igualitário.
Todos descontam um IRS limpo e transparente que não é depois desbaratado em
rotundas e estatuária kitsh, nem em auto-estradas (só têm 200 quilómetros
dessas «alavancas de progresso»), nem em Expos e Euros."




"É tempo de os empresários portugueses constatarem que, na Noruega, a fuga
ao fisco não é uma «vantagem competitiva». Ali, o cruzamento de dados
«devassa» as contas bancárias, as apólices de seguros, as propriedades
móveis e imóveis e as «ofertas» de património a familiares que, em
Portugal, país de gentes inventivas, garantem anonimato aos crimes e
«confundem» os poucos olhos que se dedicam ao combate à fraude económica."



"Mais do que os costumeiros «bons negócios», deviam os empresários
portugueses pôr os olhos naquilo que a Noruega tem para nos ensinar. E, já
agora, os políticos.

Numa crónica inspirada, o correspondente da TSF naquele país, afiança que
os ministros não se medem pelas gravatas, nem pela alta cilindrada das suas
frotas. Pelo contrário, andam de metro, e não se ofendem quando os tratam
por tu. Aqui, cada ministério faz uso de dezenas de carros topo de gama,
com vidros fumados para não dar lastro às ideias de transparência dos
cidadãos. Os ministros portugueses fazem-se preceder de batedores
motorizados, poluem o ambiente, dão maus exemplos e gastam a rodos o
dinheiro que escasseia para assuntos verdadeiramente importantes."



 "Mais: os noruegueses sabem que não se «projecta o nome do país» com
despesismos faraónicos, basta ser-se sensato e fazer da gestão das contas
públicas um exercício de ética e responsabilidade.
 Arafat e Rabin assinaram um tratado de paz em Oslo. E, que se saiba, não
foi preciso desbaratarem milhões de contos para que o nome da capital
norueguesa corresse mundo por uma boa causa."



"Até os clubes de futebol noruegueses, que pedem meças aos seus congéneres
lusos em competições internacionais, nunca precisaram de pagar aos seus
jogadores 400 salários mínimos por mês para que estes joguem à bola.

Nas gélidas terras dos vikings conheci empresários portugueses que ali
montaram negócios florescentes. Um deles, isolado numa ilha acima do
círculo polar Árctico, deixava elogios rasgados à «social-democracia
nórdica». Ao tempo para viver e à segurança social."
"Lá, naquele país, também há patos-bravos. Mas para os vermos precisamos
de apontar binóculos para o céu. Não andam de jipe e óculos escuros. Nãoclamam por Messias nem por benesses. Não se queixam do «excessivo peso do
Estado»,
para depois exigirem isenções e subsídios."



 É tempo de aprendermos que os bárbaros somos nós.
Seria meio caminho andado para nos civilizarmos.