quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Viva a Republica, (mas não esta!)


Para os mestres do Chico espiritismo nacional, o que conta é a vida à grande. O resto, para eles é paisagem. A ascensão no partido, o voto do Zé Povinho, o poder e muita lata, escacaram portas a inefáveis privilégios, dão prestígio, conta bancária e acesso rápido à grandeza. O pequeno, o povo, a arraia-miúda, como já o desconsideraram à laia de peixe reles, não conta. A não ser para pagar as crises provocadas pelos grandes. Os políticos que nos têm governado nos últimos anos são grandes, legislaram para tal, fizeram pela vidinha. Grande, muito grande é também a falta de vergonha de quem pede sacrifícios aos outros e não dá o exemplo encorajador e ético. Ah, 2013! Empresas encerram umas atrás das outras. O desemprego vai em 17%. Os preços de produtos e serviços essenciais trepam, trepam… Famílias insolventes aos milhares. O custo de vida é um fardo a cada dia mais custoso de arrastar. Os rendimentos de quem trabalha sofrem um assalto silencioso, miserável, cobarde. A pobreza aumenta. Ementes  o Presidente gasta o dobro do rei de Espanha. Viva a República! Morra a monarquia! Olvide-se o governante falhado, o delapidador do tesouro, o Bragança absoluto, o vil, o tirano, o traidor da nação! Exalte-se e viva, bem vivinho da silva, o símbolo da liberdade, o salvador, o garante da felicidade da grei, o incorruptível, o humilde, o probo, o Presidente da República! Ai as voltas que os fundadores do Partido Republicano já deram na tumba! Foi-se-lhes o argumento, tão útil na propaganda, do despesismo monárquico. A Espanha é um país pobre? Deve ser. Se o rei gasta menos que o nosso Presidente… Portugal é um país rico? É, de certeza, para alguns iluminados por aquela centelha especial que vem do alto e só ilumina quem tem de iluminar – os grandes, que podem não ser grande coisa, mas são grandes, principalmente no narcisismo com que se vêem e revêem no espelho das vaidades, na incompetência que revelam e na voracidade com que delapidam os dinheiros públicos. Na Espanha, o rei gasta menos. Na Noruega, na Suécia e noutros países da Europa, os políticos não têm frotas de carros de luxo e condutores à disposição, exércitos de assessores e secretárias, reformas aos quarenta e poucos anos, regalias de fazer praguejar um santo. Pobrezinhos! Em Portugal, político é político, e político tem de ser grande, fazer figurão, gastar o que tiver de ser gasto, sem concessões a pelintrices. A plebe que se esforrique, que poupe, que conte tostões e que pague o que houver a pagar. E viva a República!

Por: Juvenal José Cordeiro Danado, Professor in Diário da Região