domingo, 6 de março de 2011

País à rasca!...


Esta semana vão sair à rua manifestações da ‘Geração à Rasca’, uma designação que deriva de um título do jornal ‘Público’ publicado há mais de uma década, ‘Geração Rasca’. Essa geração terá agora 35, 40 anos e está hoje no poder. No poder que dirige escolas, empresas, autarquias, tribunais, e está significativamente representada na Assembleia da República, no Governo. O título então publicado foi, no meu entender, mais uma provocação para discutir problemas sérios da juventude do que uma tentativa de ofensa. E na verdade, pese os ofendidos beatos do costume, valeu uma discussão séria sobre os destinos da escola e do País.
Agora chega-nos a ‘Geração à Rasca’, que se manifesta pedindo a demissão de toda a ‘classe política’. Toda! Jerónimo de Sousa já informou que o seu partido vai integrar a manifestação, pois o PCP, na sua indumentária CDU, considera-se fora da classe política e adora ser o Pôncio Pilatos, que lava as mãos, em todas as crises. A verdade é que a sua força destrutiva, voraz na defesa de privilégios, defensor maior da preguiça e da inutilidade daqueles que em nome dos trabalhadores os vão iludindo com cânticos às injustiças dos outros, é um dos principais responsáveis por esta ‘geração que está à rasca’. É fácil, hipócrita, e de um cinismo enervante, vê-los, tal como ver o Bloco, apostar tudo na crítica ao governo e aos partidos que foram governo.
Quantos milhões não custa ao País, e a milhares de famílias, a alegre sucessão de greves nos transportes falidos que esta gente tem provocado? Mas acham que não. Estarão na manif da ‘geração à rasca’. A verdade é que o País está em apuros. A tal ponto que ninguém sabe como vai ser a nossa vida na próxima semana, no próximo mês. São os novos e os velhos atingidos por esta terrível crise, os pobres, os desempregados, os mais velhotes. É um País inteiro à rasca que não sabe se vai ou não para a bancarrota, se aguenta o vendaval dos juros, se vai para eleições, se inventa maneira de viver ou, pelo menos, de sobreviver. Somos um país inteiro em aflição, e daí que o oportunismo de quem manipula esta enorme preocupação não mereça uma ponta de respeito. Vivemos tempos tão ruins que não se vê no PS, em vésperas de congresso, quem se perfile e diga que Sócrates está a mais.
Calam-se, medrosos. E no PSD, que não tem parado de crescer nas intenções de voto desde que Passos Coelho o lidera, começam a surgir os gurus do costume gemendo discordâncias porque o partido deveria ser mais ou deveria ser menos. À rasca. A todos falta a grandeza para os grandes combates pela defesa do País. Filhos dilectos da ‘geração rasca’.