sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Arsenal do Alfeite “dispensa” mais de 500 trabalhadores












Mais de 500 trabalhadores do Arsenal do Alfeite vão passar para o regime de mobilidade especial!

O Arsenal do Alfeite (AA), em Almada, começa a partir de terça-feira a funcionar como sociedade anónima de capitais públicos, passando a designar-se Arsenal do Alfeite, S.A. Dos 1130 trabalhadores actuais, pouco mais de metade (627) vai continuar ao serviço do AA, e os restantes passam a integrar o regime de mobilidade especial.

Sexta, 08/28/2009 - 12:02

A transformação em sociedade anónima tinha sido anunciada em Novembro do ano passado pelo ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira. Na semana passada, o Governo aprovou a minuta do contrato de concessão com a Arsenal do Alfeite S.A., a nova empresa que vai gerir os estaleiros navais e que deve começar a funcionar em pleno a partir de 1 de Setembro.

No entanto, apesar de, em Novembro, o ministério ter previsto a manutenção de um quadro de pessoal com 800 a mil trabalhadores, Rogério Caeiro, dirigente da comissão sindical do Sindicato dos Trabalhadores Civis das Forças Armadas, Estabelecimentos Fabris e Empresas da Defesa (STEFFAS), avança que apenas vão manter-se 627 postos de trabalho, sendo que 503 pessoas passam para o regime de mobilidade especial.

«Os trabalhadores sentem uma grande indignação por esta atitude do Governo», confessa o dirigente. Tanto mais que afirmam não saber que critérios foram utilizados para a selecção de quem fica e de quem passa para a mobilidade especial. «Houve funcionários que questionaram as chefias sobre isso e não obtiveram resposta, ou então foi-lhes dito que tinham tirado à sorte».

Com uma redução para pouco mais de metade dos funcionários, Rogério Caeiro questiona mesmo «até que ponto é que o AA conseguirá dar resposta à manutenção dos navios da armada, se dantes os trabalhadores já eram poucos».

Recorde-se que, desde Novembro do ano passado, os trabalhadores têm lutado contra a empresarialização do AA. No entanto, consideram que não foram devidamente ouvidos pelo Governo. «O ministério ainda agendou duas reuniões, só para ganhar tempo até os trabalhadores irem de férias em Agosto».

Sem saber bem que mudanças os esperam, os funcionários que regressam ao AA na terça-feira vão ver que propostas é que a nova administração tem para lhes apresentar. Contudo, o dirigente promete que «não vão abdicar de lutar pelos seus direitos».

O iMais tentou contactar o Ministério da Defesa sobre este assunto, mas sem sucesso. Já a administração do AA remeteu esclarecimentos sobre a mudança em curso para 1 de Setembro, já que, de momento, está a ultimar a passagem a sociedade anónima.

Por Cristina Isabel Pereira