domingo, 20 de julho de 2014

Agora é a Natalidade.....



NATALIDADE


Esta história da natalidade dá que pensar. Diz-se que Portugal (com ele a Europa Ocidental, ele mais que ela) dentro de duas ou três décadas deixará de ter cidadãos, ou terá menos uns quatro milhões. Pior, diz-se que a maioria dos que por cá ainda houver estará com os pés para a cova, e que os capazes de fazer alguma coisa não chegarão para tratar, ou sustentar, os velhos. Um drama.
O governo, diz ele, vai tentar criar condições fiscais e sociais que estimulem a produção de bebés. Muito bem, dirão as pessoas. Resta, porém, saber se os tostões que se ganharão ou pouparão com tais medidas servem para alguma coisa.
O IRRITADO, que não faz, nem de longe, parte dos novos “demógrafos” (se não for demógrafos é uma coisa do género), atreve-se a dizer sobre o assunto algumas coisas, se calhar asneiras.
A primeira é que a crise pouco tem a ver com a queda da natalidade. Não são os países mais pobres, ou em que as pessoas são mais pobres, os que menos seres humanos produzem. Bem pelo contrário. Mesmo com alta mortalidade infantil, mesmo com fome lá em casa, mesmo sem assistência médica, são os países mais pobres os que mais crescem em termos demográficos. Porquê? Porque as famílias precisam de-mão-de-obra? Porque os processos de limitação da natalidade, entre nós conhecidos por “planeamento familiar”, não estão à mão de tais gentes? Porque as mulheres continuam a ter como principal actividade cuidar das crianças?
Com certeza por todas estas razões, e outras que de momento me não ocorrem. Uma coisa é certa: não há uma relação de causa/efeito entre o status económico das nações e a natalidade ou, se há, é de pernas para o ar, isto é, quanto mais pobres são as pessoas mais filhos têm.
As sociedades mais avançadas, onde proliferam os infantários e as creches - privados, do Estado, dos municípios, das empresas, das misericórdias ou equivalente -, onde as mulheres, até os homens, têm largos períodos de licenças de parto, onde há subsídios de aleitação e licenças para amamentar, onde os sistemas de saúde são mais eficazes, etc., são as que menos filhos têm. Porquê?
Julgo tratar-se de um problema civilizacional. É verdade do amigo banana que tudo neste mundo tem um lado positivo e outro negativo. O que há de positivo na chamada libertação da mulher, no trabalho feminino, nos contraceptivos, no planeamento familiar, na assistência social, no Estado social, tem o seu lado negro na desresponsabilização das pessoas em relação à sociedade, em termos de procriação.
Os casais normais assumem a obrigação de estudar, de trabalhar, de fazer carreira, de contribuir para a estabilidade, sobretudo económica, da sociedade. Mas, entre os seus objectivos de vida não está o de multiplicar a espécie ou, pelo menos, de a manter estável, populacionalmente falando.
Ainda há poucas décadas, os casais sacrificavam quase tudo para dar à sua vida o superior objectivo de ter filhos, de os criar, sustentar, ajudar, dando-lhes o melhor de si e prescindindo por eles de grande parte das suas comodidades e facilidades. Já não é assim. A nova moral pública, o politicamente correcto, os temas que as pessoas são levadas a abraçar (o futuro do planeta, a paixão pela “cultura”, a separação dos lixos, a poupança de água, as solidariedades globais, o consumismo – se não houvesse consumismo não havia produção, nem emprego, nem economia…), não incluem essa coisa tão simples e tão formidavelmente gratificante que é ter filhos e viver principalmente para eles.
Nesta ordem de ideias, não há vantagens fiscais, nem Estado social, nem solidariedades, nem facilidade alguma que inverta a tendência da diminuição da natalidade. O que poderá fazê-lo é uma alteração civilizacional que implica um trabalho de décadas, e a mudança dos grandes temas que nos são vendidos todos os dias, a todos os níveis.
Se as pessoas andam preocupadas com coisa tão estúpidas como o “aquecimento global”, “provocado” pela humanidade (???), com a “morte dos oceanos” por causa dos sacos de plástico, como podem ter a procriação – tão fácil de evitar! – no elenco das suas preocupações?
Mas a humanidade parece entreter-se com patacoadas, em vez de pensar em coisas sérias e justas.

20.7.14

António Borges de Carvalho

Com a devida vénia ...retirado daqui

Agora digo eu:

Estando de acordo com António Borges de Carvalho, penso e digo que o problema não está só aqui.
A actual sociedade está a evoluir, para que o trabalho seja realizado pelas máquinas. Na área dos serviços, pelos computadores e  outros meios sofisticados.
No futuro (já hoje) a mão de obra humana será quase praticamente posta de lado.
Por isso, com mais gente ao cimo da terra, servirá apenas para criar mais desempregados. Em Portugal o problema será ainda mais grave, do que no resto da Europa. Quem faz hoje mais filhos são as classes ditas desfavorecidas. Que tem que produzir um filho normalmente por ano para manter, o Rendimento de Inserção Social. Mas estes, não estão vocacionados para realizarem qualquer trabalho. Num futuro muito próximo Portugal, terá uma população de velhos,de usuários das subvenções sociais e de políticos. Os mais capazes e empreendedores sairão do país.