sábado, 2 de junho de 2012

E é Sobre a selecção e outros mitos suburbanos



por Sérgio Lavos

É bem provável que acompanhe o campeonato da Europa. Há grandes jogadores por lá, algumas boas selecções e, de vez em quando, o talento e o génio levam a melhor sobre o cansaço acumulado de uma época e sobre a falta de estímulo - leia-se "capital" - dos milionários que vão passear à Polónia e a Ucrânia.

Demagógica, esta conversa? Realista. Basta ver o desempenho dos dois melhores jogadores da actualidade - Messi e Cristiano Ronaldo - nos grandes campeonatos. Não são muitos os jogadores que ficam na História por causa do que fazem em torneios de selecções; e talvez por isso Maradona seja (e vá continuar a ser) o melhor jogador de sempre. A Argentina de Maradona é mais importante, na constelação futebolística, do que o Nápoles de Maradona - apesar de tudo. Maradona é de um tempo em que a política fazia parte do futebol e o futebol da política. A Argentina teve a desfora da Guerra das Malvinas quando a cabeça de Maradona chegou mais alto do que o punho de Peter Shilton. Isto era futebol. Agora é um desfile de estrelas que nem no twitter estão autorizadas a dizer o que pensam.

E claro, parece que a selecção portuguesa organizou uma excursão turística a esses países durante o tempo que dura a primeira fase do campeonato. E que até vão ficar no hotel mais caro de entre as selecções do torneio. Acho bem, dado o crescimento brutal da nossa economia, que a Federação não olhe a gastos com este grupo excursionista a terras do Leste. Eles merecem. Paulo Bento também, que escolheu a nata da nata para levar lá. Que a nata seja um pouco azeda - uma maneira simpática de dizer que este é o grupo de joagdores mais fraco desde que acompanho campeonatos de selecções - ele não tem culpa. E talvez até consigamos, com alguma sorte e toda a tranquilidade, ganhar à Dinamarca.

Sei que posso enganar-me - depois do "fraco" Chelsea ganhar a Liga dos Campeões, para espanto da falange anti-benfiquista do país, apssei a acreditar em quase tudo -, mas também sei que terei mais possibilidades de estar certo se apostar na saída emglória ao fim de três jogos. Não podemos esperar mais: uma selecção que, tendo Bosingwa, caça com João Pereira; tendo Ricardo Carvalho, caça com Bruno Alves; leva um Miguel Lopes como mascote; e que aposta na titularidade da quimera Hélder Postiga (misto de jogador de futebol e de projecto de pivot de andebol) para marcar golos à Alemanha e à Holanda, não pode esperar ir muito mais longe do que o spa do hotel de luxo onde ficou instalada.

Falta de patriotismo? Eu gosto de futebol, caramba; bandeirinhas na lapela ou na janela é para políticos hipócritas da maioria de direita e gente que faz excursões a lojas de chineses para comprar produtos com as cores da bandeira nacional. Mas sofro, e vou ver, e talvez me surpreenda. Gosto de torcer por equipas pequenas quando o Glorioso não joga. Por isso, neste Europeu, estou com Portugal!

(Inicialmente publicado no Catedral da Luz.)