quarta-feira, 6 de abril de 2011

Qualquer dia há uma corrida aos bancos



Os banqueiros acordaram. Depois de meses a acomodar o comportamento suicidário do Governo desistiram de comprar dívida pública.
Esta "revolta" já devia ter ocorrido mais cedo. Porque já se tinha percebido que apesar dos avisos feitos em privado (e foram vários), o 1º ministro não ia mudar. E embora para os bancos fosse um bom negócio emprestar ao Estado a cinco ou mais por cento, pedindo emprestado ao BCE a um por cento, não há negócio que resista ao risco de solvabilidade (as baixas de rating do Estado são seguidas de baixas de rating dos bancos). 

É um exagero (os bancos não estão em risco)? Talvez seja, mas as baixas de rating podem induzir nos depositantes a ideia de que os bancos já não são seguros. Nas últimas duas semanas parte importante dos mails de leitores, telespectadores e ouvintes de "A Cor do Dinheiro" passaram a questionar a segurança das poupanças. E as dúvidas não vêm apenas de pessoas sem literacia financeira… 

É a este ponto a que o 1º ministro devia prestar atenção: se não recorrermos a ajuda externa não é apenas a economia que pára (com as inevitáveis falências e disparo do desemprego); corremos o risco de ter um "bank run", provocado pela desconfiança dos depositantes. O problema é que, como se viu na entrevista à RTPJosé Sócrates continua a viver em Marte, ignorando que os bancos caminham sobre gelo fino. Talvez precise que outros banqueiros, para além de Santos Ferreira (bendita hora em que convenceu os accionistas a aumentarem o capital), alertem o país para o desastre que está mesmo à frente. Todos sabemos como começa uma corrida aos depósitos, mas ninguém sabe como acaba.