segunda-feira, 9 de março de 2015

A mesma planta que cura, pode te matar!" O Jardim Venenoso


                    



 Muito diferente dos jardins públicos comuns existentes em todo o mundo, existe um jardim tão curioso quanto ... perigoso! Trata-se do Poison Garden (numa tradução livre, Jardim Venenoso), instalado dentro do Parque Alnwick, no Norte da Inglaterra, a cerca de 500 Km de Londres. Inaugurado em fevereiro de 2005, ele foi concebido por Helen Percy, duquesa de Northumberland, que recebeu uma licença especial do governo britânico para cultivar e expor muitas espécies de plantas bem perigosas e até proibidas.


Por trás dos portões fechados do Poison Garden, as visitas são monitoradas e os guias responsáveis compartilham contos de plantas mortais. Mitos e lendas são descobertos, juntamente com fatos da ciência e da história.

Muitas das plantas são bem conhecidas por suas propriedades medicinais, mas existe um detalhe que diferencia tudo, como bem explica a duquesa idealizadora do jardim:
      
    "Eu sempre  perguntava por que tantos jardins ao redor do mundo dedicam-se apenas em focar o poder de cura das plantas ao invés de sua capacidade de matar ... eu sentia que a maioria das crianças estaria mais interessada em saber como uma planta pode matar, quanto tempo você levaria para morrer se a comeu e o quanto horrível e dolorosa a morte poderia ser”.

O Poison Garden é todo cercado por muros e grades e, logo na entrada, um quadro adverte os visitantes: “Essas plantas podem matar”. Mesmo as pessoas que trabalham no local tratam as plantas com o maior cuidado, usando luvas ao manuseá-las. Ali vivem mais de 100 espécies venenosas, alucinógenas e medicinais de várias partes do mundo, como a papoula, a beladona e até a famosa Cannabis sativa (a planta da maconha) cujos exemplares ficam expostos fechados em grandes gaiolas. 
Algumas das plantas são muito belas, apesar de mortais, e outras parecem ser tão inofensivas que é difícil imaginar que apresentem substâncias perigosas, até mesmo fatais.


Plantas que curam, mas que também podem matar fazem parte da coleção, como a mamona (Ricinus communis L.), que produz o famoso óleo de rícino, usado como medicamento há séculos. O lado escuro da planta é que uma única semente pode matar um adulto, de forma horrível. A responsável por isso é uma substância chamada “ricina” que provoca vômitos, convulsões e posterior falência dos rins, fígado e baço.


                                        VICINUS
O Poison Garden abriga ainda plantas que se tornaram famosas por servirem como referência nos livros e filmes da saga Harry Potter, como Wolfsbane, Mandrake e Atropa. No caso, o Wolfsbane, que aparece no filme Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, foi inspirado no Aconitum lycoctonum, da família Ranunculaceae. A planta possui um alcalóide de nome “aconitina” - um dos mais venenosos que se conhece, cujas propriedades farmacológicas e medicinais são conhecidas desde 1833. A ingestão de uma pequena quantidade pode causar perturbações gastrointestinais graves, mas seu efeito mais perigoso ocorre no coração, onde causa diminuição da frequência cardíaca, podendo muitas vezes ser fatal. O veneno pode ser absorvido pela pele ou feridas abertas e há relatos de pessoas que sentiram mal-estar apenas por cheirar as flores do Aconitum.

Já o Mandrake, usado nas poções dos alunos, é a mandrágora (Mandragora officinarum L.), planta da família Solanaceae, à qual são atribuídas propriedades medicinais, alucinógenas e narcóticas. O uso da raiz desta planta é tão antigo, que é citado nos textos bíblicos em Gênesis e Cantares. Lendas medievais descrevem que as raízes da mandrágora deveriam ser colhidas em noite de lua cheia, puxadas para fora da terra por uma corda presa a um cão preto, pois se uma pessoa tentasse esta tarefa, a raiz emitiria um grito tão alto que a mataria. Em Harry Potter e a Câmara Secreta uma poção preparada a partir de mandrágoras foi usada para ajudar os estudantes que haviam sido petrificados.

                                      Mandrake

E temos também uma poção usada por todos os alunos de Hogwarts, preparada a partir da Atropa (Atropa belladonna) – também da família das Solanáceas, considerada uma das plantas mais tóxicas do mundo ocidental e, ainda assim, muito usada para fins medicinais, no tratamento de úlceras pépticas e cólicas. Esta planta ficou conhecida como baga de bruxas e na Idade Média ganhou fama por fazer parte das supostas poções que as faziam voar.



                                Beladona

A delicada e singela vinca (Vinca major) – aparentemente inofensiva – está presente no Poison Garden. Engana-se quem a julga pela aparência, pois a vinca contém um grupo de alcalóides poderosos como a vincristina e a vinblastina, ambos usados ​​em tratamentos quimioterápicos. Ela tem sido usada para tratar a pressão arterial elevada e controlar sangramentos, porém o uso excessivo pode provocar a hipotensão e colapso.




                                Vinca Major

E o que dizer do belíssimo narciso (Narcissus)? Por trás de tanta beleza, é preciso dizer que a planta inteira é venenosa, mas especialmente os bulbos contêm dois alcalóides, narcissina (lycorina) e galantamina (fármaco usado no tratamento do Mal de Alzheimer), bem como o glicosídeo scillitoxina.


                               Narcissus

Além do aspecto curioso e do visual impressionante, as espécies cultivadas no Poison Garden têm uma mensagem muito importante aos vistantes, que pode ser resumida numa única frase: A mesma planta que cura, pode te matar!"


Fontes :  Poison jardim  e  Poison Garden